Falar sobre dores da alma é falar sobre um tipo de dor extremamente maior do que as dores físicas, até porque as dores da alma influenciam diretamente na intensidade com que sentimos as dores no nosso corpo. Essas dores podem ser muito bem traduzidas por uma noite escura, ou um grande vazio, como se tivéssemos nos deparando com um abismo infinito, do qual nos parece nunca mais sairemos para encontrar o caminho de volta para a luz. É como se a vida tivesse levado para longe de nós o nosso sonho de felicidade. È uma dor inexplicável, uma dor que insiste em doer mesmo quando não estamos conscientemente pensando nas circunstâncias que causaram a dor. Dormimos com ela e quando acordamos, ela ali permanece. Dói o peito, dói os olhos, dói o coração, e as vezes dói tanto que não sabemos bem onde dói. Todos os anos possíveis gastos em terapia podem até amenizar os sentimentos dolorosos, mas não poderá apagá-lo. O tempo também não apaga. Mesmo que a memória procure mil maneiras de esquecer, haverá sempre aquele dia, e até varias vezes no dia, em que um fato ou qualquer outra coisa nos fará recordar, e junto com a recordação, como num ciclo vicioso, a sensação da dor, ainda que em menor escala, encontra o seu lugar. Sempre haverá datas, locais, momentos e fatos que nos farão sentir aquilo que não desejávamos mais sentir. No princípio, como um mecanismo de defesa que nos protege contra o sofrimento e contra o embate imediato das mudanças bruscas que teremos que enfrentar, tentamos negar o fato traumático, mas pouco a pouco teremos que confrontar a realidade da perda e adaptar-se a nova situação que virá acompanhada da baixa auto-estima, sentimento de derrota e depreciação da vida. Em seguida vem a raiva que resulta de uma grande frustração. Mistura-se nessa confusa, complexa e perplexa situação, uma profunda tristeza que assola a alma e nos faz repensar no valor e sentido da própria vida. Começamos então a questionar os próprios sonhos.
Em quadros como esse, é normal sentir que os sonhos se foram e a sensação é que eles já não se fazem mais necessários, porém é exatamente nesse momento que devemos mantê-los de pé, firmes e intocáveis. São os sonhos e o desejo de que se realizem, que nos ajudarão a caminhar dentro dessa nova e dolorosa realidade. Lettie Cowman afirma: “A provação vem não só para testar o nosso valor, mas para aumentá-lo. O carvalho não é apenas testado, mas fortalecido pelas tempestades”.
Mas como? Essa deve ser a pergunta mais importante de nossas vidas! Como é possível viver assim? Se você tem passado a vida olhando para trás pensando no que perdeu, ou olhando para frente, ansioso com o que ainda virá, você pode estar perdendo um dos maiores e mais importantes espetáculos que está acontecendo agora mesmo e que se chama: HOJE! Para isso, vamos pensar no dia de hoje! Quantas pessoas estão nesse exato momento internadas, recebendo a notícia de que não vão mais poder andar... nunca mais... ou que ficarão cegas e não poderão ver o sorriso lindo de uma criança feliz, ou uma flor se abrindo na primavera? Agora, olhe para você! Me diga: quão abençoado é você! Então, temos ou não mil e uma bênçãos pelas quais agradecer? Sabe por quê? Porque “embora ninguém possa voltar atrás e escrever um novo começo, cada um de nós pode começar agora a escrever um novo final para a sua história”. A gratidão é sem dúvida alguma um poderoso antídoto contra o desânimo e a dor. Saber que não somos perfeitos e que também somos passíveis de erro, aliado ao sentimento de que apesar dos pesares podemos contar com a graça e a misericórdia de Deus, é algo de grande valor e que nos ajuda a enfrentar a grande luta pela saúde física e mental em meio às dores da alma.
Sendo assim segue abaixo algumas dicas para enfrentar os momentos de dores:
1) Não ofereça resistência – A dor virá como em um ciclo, e quando ela vier o mais sensato a fazer é manter a calma e a confiança de que não é o fim. Espere e mantenha sua cabeça erguida. Saiba e confie no valor que você tem. Se você tentar resistir a única coisa que acontecerá será um grande e profundo desgaste físico e mental. Aceite esse momento como parte da sua experiência de vida. Não é se conformar, mas aceitar e isso tem uma grande diferença.
2) Determine e pratique o perdão - Perdão ao ofensor e perdão a si mesmo. Saiba que ninguém é perfeito e que as armadilhas da vida também proporcionam momentos de aprendizado. Lembre-se que o perdão é praticado mesmo que as nossas emoções digam o contrário.
3) Invista na sua auto-estima - Faça algo que lhe dê prazer e confiança.
4) Aproveite a oportunidade para aprimorar o crescimento pessoal - Momentos como este podem e devem ser meios para alcançar um caráter mais elevado.
5) Mantenha em sua memória somente aquilo que ti dá esperança e alegria - Aprenda a dominar sua mente e conduzi-la cativa. Não permita que sua mente fuja de seu controle e siga cavalgando como um cavalo indomável.
6) Orar sem cesar - É preciso desenvolver um relacionamento íntimo com Deus. Nos momentos de tristeza e sofrimento da alma, Deus deve ser o nosso refúgio. A solidão que abate a alma dissipa-se quando entendemos que Deus está no controle e que nenhum fio de cabelo de nossa cabeça pode cair sem que seja do consentimento daquele que tudo vê e tudo sabe. Não estamos só nessa longa e difícil jornada, e o Senhor sempre nos ajudará a superar nossos próprios limites.
7) Louve e adore - É extremamente importante ter muitos louvores de adoração e libertação em mente. Nesse momento vale o velho ditado popular: "Quem canta seus males espanta". Louvores ajudam a libertar a alma e abrem caminho para o alívio do sofrimento e da dor.
Agora o mais importante:
A VONTADE DE FICAR CURADO
Sem isso, nada feito. Ninguém pode fazer por nós o que não desejamos nós mesmos. Sabe-se que mesmo fisicamente uma pessoa não pode curar-se sem que haja uma íntima vontade e desejo de se estar curado. Não são os médicos que fazem milagres, eles fazem a parte deles. Mas o maior trabalho fica por conta da própria pessoa. Como disse um certo pastor: "Nós somos provocadores de milagres."
ACREDITE: A CURA É POSSÍVEL.
LEMBRE-SE:
“Deus é o nosso refúgio e nossa fortaleza. Socorro bem presente no dia da angústia”

3 comentários:
ESSA FOI NA "MOSCA"!
Você descreveu com precisão sobre o sofrimento da alma. Parabéns. Gostei demais.
Obrigada. Me ajudou muito.
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